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Guias do barranco

Cinco nós de pesca que resolvem quase tudo

Leitura de 6 min · por Jelde Schmoll, pescador amador

Ilustração em estilo de jogo: lago visto de lado, com um píer de madeira, uma vara de pesca, uma boia vermelha e branca na superfície e peixes debaixo d'água

Poucos nós, bem feitos

Nó de cadarço no anzol é o jeito mais rápido de ver a linha partir sempre no mesmo lugar. Decorar uma dúzia de nós de uma vez também não resolve: não fica nenhum. O que funciona é escolher cinco, um para cada situação, e treinar em casa com um pedaço de linha grossa até a mão fazer sozinha.

Três cuidados valem para todos eles. Molhar o nó antes de apertar, com água ou saliva, para a linha não esquentar com o atrito. Apertar devagar e por igual, sem tranco. E cortar a sobra deixando um toquinho, nunca rente demais.

Nó único: anzol, girador e chumbada

É o que mais uso. Serve para prender a linha em qualquer coisa que tenha um olhal e funciona bem em linhas de várias espessuras.

  1. Passe a linha pelo olhal e traga a ponta de volta, paralela à linha principal, por um palmo.
  2. Com a ponta, forme uma laçada sobre as duas linhas.
  3. Dê de cinco a seis voltas com a ponta em torno das duas linhas, sempre por dentro da laçada.
  4. Molhe e puxe a ponta até as voltas se juntarem num nó compacto.
  5. Puxe a linha principal para o nó escorregar até o olhal e corte a sobra.

Palomar: quando quero simplicidade

É o mais fácil de fazer com a mão fria ou com pouca luz, e segura muito bem, inclusive em linha multifilamento. O único incômodo é que o anzol inteiro precisa passar por dentro de uma alça, então ele não serve para peças grandes.

  1. Dobre a ponta da linha, formando uma alça dupla de um palmo, e passe a dobra pelo olhal.
  2. Dê um nó simples com a alça dupla, sem apertar, deixando o anzol pendurado no meio.
  3. Abra a ponta da alça e passe o anzol inteiro por dentro dela.
  4. Molhe e puxe a linha principal e a ponta juntas, até o nó assentar no olhal.
  5. Corte a sobra.

Albright: unir linhas de espessuras diferentes

Uso para emendar uma linha fina numa mais grossa, como a principal num líder. Fica um nó comprido e fino, que passa pelos passadores da vara sem bater.

  1. Dobre a ponta da linha mais grossa, formando uma alça fechada com os dedos.
  2. Passe a ponta da linha fina por dentro da alça, puxando uns dois palmos.
  3. Enrole a linha fina em volta das duas pernas da alça e de si mesma, umas dez voltas, uma ao lado da outra, caminhando na direção da dobra.
  4. Passe a ponta da linha fina de volta pela alça, saindo pelo mesmo lado por onde entrou.
  5. Molhe, segure as duas pernas da linha grossa e puxe a fina devagar, empurrando as voltas até a ponta da alça sem deixar que escapem.
  6. Aperte bem e corte as duas sobras.

Laçada perfection: um laço que fica reto

Faz um laço na ponta da linha que sai alinhado, sem entortar para o lado. Uso na ponta do chicote, para prender no girador ou num engate rápido e trocar de anzol sem refazer tudo.

  1. Forme uma primeira laçada, passando a ponta por trás da linha principal.
  2. Dê uma volta com a ponta pela frente, formando uma segunda laçada, menor, em cima da primeira, e leve a ponta para trás outra vez.
  3. Traga a ponta pela frente, passando-a entre as duas laçadas, e segure-a ali com o polegar.
  4. Puxe a laçada menor por dentro da primeira.
  5. Molhe e aperte puxando o laço e a linha principal em sentidos opostos. Corte a sobra.

O tamanho do laço se decide no passo 4: quanto mais eu puxo a laçada menor antes de apertar, maior ele fica.

Nó de sangue: unir linhas parecidas

Para emendar duas linhas de espessura igual ou próxima, como quando o carretel acaba no meio ou quando preciso refazer um chicote. Fica simétrico e discreto.

  1. Sobreponha as pontas das duas linhas por um palmo e meio, em sentidos opostos.
  2. Enrole a primeira ponta na outra linha, cinco voltas, e traga-a de volta para o meio, passando-a no vão entre as duas linhas.
  3. Faça o mesmo com a segunda ponta, cinco voltas no sentido contrário, e passe-a pelo mesmo vão, entrando pelo lado oposto.
  4. Molhe e puxe as duas linhas principais, devagar. As voltas vão se juntar dos dois lados.
  5. Confira se as pontas não escaparam do vão e corte as sobras.

Como eu confiro cada nó

Antes de lançar, puxo o nó com as mãos, com mais força do que acho que o peixe faria. Se tiver de partir, que seja ali, comigo olhando. Olho também o formato: voltas encavaladas ou linha esbranquiçada perto do nó são sinal de aperto malfeito, e nesse caso corto e refaço. Leva um minuto, e me poupa de perder a montagem inteira no primeiro peixe bom da manhã.

Um aviso que vale para tudo o que escrevo aqui: a pesca amadora no Brasil exige licença de pesca amadora, e as regras de cada rio, represa ou pesqueiro precisam ser conferidas nos órgãos oficiais antes de sair de casa.

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