Guias do barranco
Montagem de boia, do stopper ao anzol
Por que a boia ainda é a minha preferida
A pesca de fundo, com sininho, tem o seu encanto. Mas a boia mostra o que está acontecendo lá embaixo. Ela treme, deita, anda de lado, afunda devagar ou some de uma vez, e cada um desses movimentos quer dizer uma coisa. Para isso funcionar, a montagem precisa estar equilibrada. Uma boia mal chumbada não avisa nada.
As peças, na ordem em que entram na linha
Uso quase sempre a boia corrediça, que desliza pela linha e para num batente. Ela deixa pescar em qualquer fundura sem atrapalhar o lançamento. A ordem, da vara para o anzol, é esta:
- Stopper: o batente de borracha ou de nó que marca a fundura. É ele que eu subo ou desço na linha.
- Miçanga: uma continha pequena, para o stopper não passar por dentro do olhal da boia.
- Boia: presa só pelo olhal de baixo, livre para correr.
- Chumbo: uma oliva furada ou alguns chumbinhos de apertar, logo abaixo da boia.
- Girador: segura o chumbo e evita que a linha torça.
- Chicote: um pedaço de linha um pouco mais fina que a principal, de dois a três palmos.
- Anzol: do tamanho da isca, não do peixe que eu gostaria de pegar.
Na boia fixa, para lugar raso, é mais simples: a linha passa por dentro das borrachinhas da boia e ela fica presa onde eu deixar. Chumbo, girador, chicote e anzol seguem iguais.
Chumbar até sobrar só a antena
O peso do chumbo precisa combinar com a boia. Muitas trazem a capacidade marcada no corpo; quando não trazem, eu acerto na água, na beirada, antes de começar a pescar.
- Monto tudo e solto a boia perto da margem, sem isca.
- Se ela deita, falta chumbo. Se some, tem chumbo demais.
- Vou pondo ou tirando chumbinhos até o corpo ficar todo debaixo d'água e só a antena colorida aparecer.
- Deixo o último chumbinho, o menor, mais perto do anzol: é ele que faz a boia terminar de assentar e mostrar a mordida fina.
Com a boia assim, o peixe quase não sente resistência quando puxa a isca, e qualquer toque aparece na antena.
Como acho a fundura sem sonda
Quero a isca encostada no fundo ou um dedo acima dele, dependendo do peixe. Para medir, prendo no anzol um chumbo mais pesado do que a boia aguenta e lanço no ponto onde vou pescar.
- Se a boia afunda, o stopper está baixo demais: subo um palmo e lanço de novo.
- Se a boia deita na água, o stopper passou do ponto: desço um pouco.
- Quando a boia fica em pé com a antena de fora, achei a fundura.
Tiro o chumbo de prova, coloco a isca e começo. Se a mordida não vem, mexo no stopper de pouco em pouco antes de trocar qualquer outra coisa.
Lendo a boia
Alguns sinais se repetem em rio e em represa:
- Tremidinhas sem afundar: peixe miúdo beliscando a isca. Espero.
- Boia que sobe e deita: o peixe pegou a isca e levantou o chumbo. Fisgo.
- Boia andando de lado: o peixe está levando. Fisgo no sentido contrário.
- Afundada firme: não tem o que pensar.
A fisgada é um movimento curto de punho, para o lado ou para cima, só o bastante para esticar a linha. Puxão comprido arranca a isca da boca do peixe ou joga a montagem inteira no mato atrás do banquinho.
Os erros mais comuns
Boia grande demais para água calma: ela aguenta muito chumbo, lança longe, mas não mostra mordida delicada. Chicote da mesma espessura da linha principal: quando enrosca, perco tudo em vez de perder só o anzol. E linha frouxa entre a ponta da vara e a boia: com vento, forma uma barriga que arrasta a montagem para fora da ceva. O remédio: depois de lançar, mergulho a ponta da vara e recolho duas voltas para a linha afundar e ficar reta.
Um aviso que vale para tudo o que escrevo aqui: a pesca amadora no Brasil exige licença de pesca amadora, e as regras de cada rio, represa ou pesqueiro precisam ser conferidas nos órgãos oficiais antes de sair de casa.