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Guias do barranco

Ceva e massa caseira: o que levo no balde

Leitura de 5 min · por Jelde Schmoll, pescador amador

Ilustração em estilo de jogo: álbum de pescador aberto com cartas coloridas de tilápia, traíra e pacu, ao lado de uma carretilha

Por que eu cevo antes de lançar

Dá para chegar ao rio, montar a vara e lançar direto. Às vezes dá peixe, muitas vezes não, e fica difícil explicar a diferença. Cevar sempre o mesmo ponto muda isso: a ceva não faz peixe aparecer do nada, mas dá um motivo para o peixe que está passando parar ali, bem onde a minha isca vai cair.

Ceva, para mim, é isso: comida miúda, barata e cheirosa, jogada em pouca quantidade e sempre no mesmo lugar. Não é para matar a fome do cardume. É para ele ficar procurando.

O que vai no balde

Não uso receita com balança. Uso o que encontro em casa agropecuária e no mercado, e vou ajustando pela água do dia. A base é quase sempre a mesma:

  • Farelo de arroz ou de trigo: é o corpo da mistura, leve, que solta uma nuvem na água.
  • Quirera de milho: o grão quebrado afunda e fica no fundo, segurando o peixe por mais tempo.
  • Fubá: ajuda a dar liga e também turva a água.
  • Ração de peixe moída: um punhado, pelo cheiro.
  • Barro ou terra da própria margem: dá peso à bola quando há correnteza e faz a ceva chegar ao fundo em vez de ir embora.

Em água parada vou de mistura mais leve, com mais farelo. Em rio que corre, aumento o barro e a quirera. Quando quero um toque adocicado, misturo um pouco de açúcar ou de melado; é costume antigo de beira de rio e não custa nada experimentar.

O ponto da bola

O erro mais comum é molhar demais. A ceva vira uma papa, gruda na mão e cai na água como uma pedra que não desmancha. O contrário também acontece: seca demais, a bola esfarela no ar e se espalha por todo lado.

O jeito que uso é colocar a água aos poucos, com a mão em concha, mexendo entre uma adição e outra, e dar um tempo para o farelo beber a água antes de decidir se precisa de mais. Depois faço a prova:

  1. Aperto um punhado na mão fechada, uma vez só.
  2. Abro a mão. A bola precisa ficar inteira, sem escorrer água entre os dedos.
  3. Encosto o polegar no meio dela. Se ela se abrir em pedaços grandes, está no ponto.
  4. Se virar pasta, junto farelo seco. Se virar pó, pingo mais água.

Quando dá, jogo a primeira bola bem perto da margem, onde enxergo o fundo, só para ver como ela se comporta: quanto tempo leva para abrir e se sobe muita coisa.

Onde e quanto jogar

Escolho um ponto que eu consiga acertar de novo: na linha de um galho, de uma pedra, de uma moita na outra margem. Jogo três ou quatro bolas do tamanho de uma laranja pequena para começar, todas no mesmo lugar, e depois lanço a isca ali em cima.

Daí em diante é pouco e sempre: uma bolinha pequena de vez em quando, principalmente depois de tirar um peixe, que é quando o cardume se assusta e abre. Jogar meio balde de uma vez não ajuda; o peixe enche a barriga e desinteressa.

A massa que não solta do anzol

Massa é isca, não ceva, mas eu preparo as duas juntas na véspera. A minha é simples:

  1. Misturo farinha de trigo e fubá em partes iguais numa tigela.
  2. Acrescento água morna aos poucos e vou sovando, como massa de pão.
  3. Paro quando ela desgruda da mão e estica um pouco sem rasgar.
  4. Guardo num pote fechado ou num pano úmido, para não criar casca.

Para o cheiro, cada pescador tem a sua mania: queijo ralado, um pouco de mel, essência de baunilha. Vale levar dois potes diferentes e trocar quando o primeiro não rende.

No anzol, faço uma bolinha que cubra a curva e a ponta sem ficar exagerada. Se a massa estiver soltando no lançamento, um fiapo de algodão amassado junto com ela segura bem.

O que muda na pescaria

Com ceva, dá para pescar no mesmo lugar o tempo todo em vez de ficar mudando a boia de canto. As ações ficam mais regulares e fica fácil perceber quando o peixe chegou, porque as mordidas começam a vir uma atrás da outra. E quando não vem nada por um bom tempo, o problema está na isca, na fundura ou na hora, não no ponto.

Um aviso que vale para tudo o que escrevo aqui: a pesca amadora no Brasil exige licença de pesca amadora, e as regras de cada rio, represa ou pesqueiro precisam ser conferidas nos órgãos oficiais antes de sair de casa.

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